“O que importa não é onde estamos, mas para onde e como vamos”. Adouls Huxley (1894-1963) escritor inglês.



Caros colonos e colonas, cooperados e cooperadas da Pindorama; caros funcionários e funcionárias da cooperativa; caros participantes e colaboradores do Núcleo Incubador de Empresas de Pindorama NIEP; caros membros da comunidade da nossa região e os representantes dos órgãos públicos e privados presentes; caros colaboradores, que ao longo de muitos anos vêm aportando apoio ao nosso desenvolvimento.

As festividades do dia 1º de maio são uma tradição da nossa Cooperativa, que lembra a nossa saga, a nossa luta, o nosso trabalho, as nossas vitórias e, de forma especial, a lembrança querida de nosso mentor, nosso visionário, nosso orientador, René Bertholet. É, portanto, um momento de consagração.

Consagração da vitória do cooperativismo sobre o individualismo, da cooperação sobre a competição, da ação coletiva sobre a individual, da agregação de colonos sobre o êxodo rural, do trabalho livre sobre o trabalho escravo, da subordinação do capital ao trabalho, da tolerância com altivez, da humildade sem humilhação, do ideal de um povo que não se subordinou à história, mas construiu sua própria história.

Hoje, portanto, neste 1º de maio festivo, data da consagração do trabalho — a alegria toma conta dos nossos corações de forma mais forte, ampla, contagiante e a emoção aflora nos nossos semblantes, nas nossas palavras, nos nossos olhos, nos nossos abraços e até o choro de alegria que muitos de nós soltamos de forma visível ou escondida.

Mas esta festa de hoje tem um caráter especial, pois estamos no ano em que vamos comemorar meio século de existência, que será no próximo dia 06 de dezembro. Cinqüenta anos significa, pelo menos, duas gerações de pessoas, homens e mulheres — crianças, adultos e idosos que fizeram ou fazem parte da construção de nossa querida Pindorama, um modelo único de reforma agrária no Brasil. Uma reforma agrária certa e que deu certo.

Essa construção coletiva, cooperativa, que hoje podemos ver representada nas pessoas aqui presentes que fazem da Pindorama um núcleo industrial de açúcar e álcool, sucos, derivados do coco, doces, produtos de limpeza, vinagre, confecção, papelaria, pelo Núcleo Incubador de Empresas Pindorama, pelo projeto Mutirão, pela piscicultura, pelas lavouras, pelas casas de moradia e comércio, escolas, igrejas e demais setores existentes na nossa região.

Tudo isso teve um começo e uma orientação, um “norte”, que foi René Bertholet. Ele nos indicou o caminho, auxiliou na organização, na obtenção de recursos, na preparação das pessoas, na administração dos negócios, estimulando com palavras e exemplos os nossos colonos e isso permitiu que chegássemos onde estamos. Depois dele, outros seguiram seus passos, aperfeiçoando, ampliando, modernizando e expandindo a Pindorama. 

Junto com esses líderes, exerce um papel fundamental no nosso desenvolvimento uma série de pessoas e organizações que nomeio uma a uma, como uma forma de reconhecimento e agradecimento pelo apoio aportado à Pindorama ao longo desses anos:

SEBRAE, SENAR, OCB/AL, CODEVASF, Banco do Brasil, Governo do Estado de Alagoas através de suas secretarias de estado, Universidae Federal de Alagoas, SESCOOP/AL, DENACOOP, Banco do Nordeste, Prefeituras Municipais de Coruripe, Penedo e Feliz Deserto.

“Há sempre um passo a mais a dar” (Don José Maria Arizmendiarrieta – mentor do complexo Cooperativo Mondragon, Espanha.)

Mas agora, quando estamos comemorando cinqüenta anos, já com bastante conhecimento, com experiência, vamos fazer algo novo, que não é inédito no mundo, pois grandes corporações já o fazem — que é o de planejar os nossos próximos cinqüenta anos de forma cooperativa e participativa. Teremos agora, não só um René Bertholet a pensar, mas quase 1.400. serão todos os colonos, funcionários e apoiadores a formular as diretrizes e traçar os planos de desenvolvimento integral e auto-sustentável da nossa cooperativa Pindorama. A partir deste 1º de maio, durante doze meses seguidos, teremos uma série de eventos onde, gradativamente, estaremos formulando estas diretrizes e estudando cada passo a ser dado na construção de nosso futuro imediato e de longo prazo.

Será uma tarefa que exigirá uma reflexão profunda sobre o que desejamos, o que necessitamos, o que poderemos e o que deveremos fazer para nós e para nossos filhos, para o nosso ambiente, para nossa sociedade, de maneira a aperfeiçoarmos nosso desenvolvimento e não ficarmos somente no crescimento.
Sabemos da importância estratégica da cooperação, do cooperativismo como forma de desenvolvimento, pois foi dessa forma que conseguimos chegar até aqui e não abriremos mão desse tipo de organização.

Sabemos que a gestão da terra — sua forma de distribuição e utilização — foi o elemento chave no sucesso da Pindorama e estaremos aperfeiçoando-a pois estamos quase no limite de expansão horizontal e há uma grande demanda da mesma pelo aumento da população dos cooperados.

Sabemos ainda, que o meio ambiente — o ecossistema — não foi trabalhado por nós mesmos e a partir de agora nossa missão não é apenas recuperar o que destruímos, mas conservar o que ainda existe, pois na nossa “contabilidade social” esse item estará presente como um fator de desenvolvimento, que extrapola o universo de Pindorama, influenciando nossos vizinhos e o próprio estado.

Sabemos que estamos próximos do limite de nossa produção, pois nossas terras já estão praticamente ocupadas em sua totalidade e para suplantarmos este obstáculo deveremos investir maciçamente no aumento da produtividade, o que exigirá um agricultor muito bem preparado em termos de tecnologia e administração. A educação, portanto, deverá ser o item principal e permanente dos próximos cinqüenta anos.

Sabemos que com o aumento da complexidade dos nossos negócios, aumentou a complexidade da nossa cooperação e que deveremos dar ênfase especial na formação cooperativista de todos os envolvidos com a Pindorama. Isso é estratégico para nossa permanência e desenvolvimento, mantendo a nossa unidade, elemento chave do nosso sucesso.

O Estatuto da Pindorama, que orienta e regra os relacionamentos entre os cooperados e entre nós, a sociedade e o estado, será um item a ser estudado em profundidade, finalizando com um “Congresso Cooperativo”, onde teremos um “novo” estatuto, como fruto do debate existente entre todos os cooperados, estabelecendo assim as novas regras.

Sabemos, também, que os nossos jovens buscam outras formas de sobrevivência que não são próprias da agricultura ou pecuária e deveremos pensar e agir nesse sentido, como co-participante ou mesmo protagonista, de maneira a manter essas pessoas na nossa região, com diferentes atividades econômicas e de forma que eles tenham acesso aos bens e serviços que hoje são disponibilizados somente no grandes centros urbanos e isso exigirá uma profunda análise, mais do que isso, uma visão de estadista.

Teremos que saber muito bem onde investir individualmente e coletivamente nossas economias, nosso tempo, nossas energias. Saber para onde canalizar nossos esforços, onde poupar, onde mudar, onde priorizar e isso é um trabalho delicado que exige muito diálogo, muito estudo, aprofundamento. Exigirá que cada um de nós haja como estadista. Exigirá que sejamos pró-ativos.
Como podemos notar, este 1º de maio é especial, pois nele estamos comemorando o passado e anunciando o futuro. Futuro que iremos construir coletivamente, cooperativamente. Futuro planejado por nós.

Agradeço os esforços de todos os colonos cooperados da Pindorama, os funcinários, as pessoas da comunidade em geral, as empresas parceiras e colaboradoras nesta caminhada, os representantes dos poderes públicos municipal, estadual e federal — a todos, nesse instante convoco se engajar no projeto de construção dos próximos cinqüenta anos que, seguramente, nos garantirá um futuro ainda melhor.

A todos, o meu mais profundo agradecimento. Afinal, “Ninguém é forte sozinho”.

Muito obrigado

Klécio José dos Santos
Presidente

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